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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Que frutos lindos e grandes.


     São pitangas de uma arvore aqui de casa. Ano passado quase não deu frutos e os que deram foram bem pequenos. Como entendo um pouco de plantação percebi que o que faltava era adubo, então comprei adubo coloquei ao redor do pé de pitangueira. Vejam que frutos lindos e grandes.
     Não sei quem foi que plantou esse pé de pitangueira, mas como o apostolo Paulo diz: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fazia crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento. O que planta e o que rega têm um só propósito, e cada um será recompensado de acordo com o seu próprio trabalho. Pois nós somos cooperadores de Deus; vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus”. 1 Coríntios 3:6-9
     No reino de Deus as coisas não são diferentes. As vezes um planta, outro rega e ainda outro vai colher. Algumas coisas plantamos e colhemos nós mesmo os frutos, outras plantamos e outro vai cuidar e colher, como foi meu caso, mas em tudo isso quem faz com que a planta cresça é Deus.
    O crescimento sempre é Deus quem dá, mas o plantio ele incumbiu para nós, assim como também o regar, o cuidar da planta.
Mas percebam uma coisa, tanto o adubo como a água não são coisas que eu enfiei goela abaixo da pitangueira, simplesmente coloquei ao lado e ela mesmo absorveu aquilo que lhe era necessário. Assim é no reino de Deus.
   Muitas vezes não temos o adubo (conhecimento), temos que comprar (estudar), às vezes conseguimos de graça com quem já tem. Se você tem a oportunidade de receber de graça não perca a oportunidade que lhe é dada, somente assim você terá adubo para adubar suas plantas.
    Como falei, não é possível enfiar goela abaixo o adubo ou a água. Existe muita gente hoje colocando adubo e água ao seu redor portanto, absorve esse adubo e água (palavra de Deus), pois sem o adubo e a água Deus não da o crescimento.
   Uma comunidade onde alguém planta e onde alguém rega, e onde as pessoas absorvem para dentro de si a palavra de Deus é uma comunidade que está em crescimento e que da frutos.
    O que está faltando em sua comunidade para que ela cresça e frutifique? Alguém para plantar, alguém para regar, pessoas que absorvem?
   Tiago 1. 21-22 diz: Portanto, deixem todo costume imoral e toda má conduta. Aceitem com humildade a mensagem que Deus planta no coração de vocês, a qual pode salvá-los. Não se enganem; não sejam apenas ouvintes dessa mensagem, mas a ponham em prática.
    Eu ouvi, aprendi que muitas vezes uma planta não cresce e não da frutos porque lhe falta adubo. Se eu não colocasse em pratica isso que ouvi e aprendi, não estaria colhendo essas lindas pitangas.
    Meus amados irmãos, se uma comunidade tem pessoas que plantam e regam (pregam a palavra) e pessoas que absorvem a palavra de Deus e a colocam em prática, não tem como Deus não da crescimento. Pense. O que está faltando em sua comunidade?



Irio Edemar Genz

segunda-feira, 10 de abril de 2017

500 anos. A reforma tem que começar em nós.

Por vezes, na igreja sobram línguas para críticas destrutivas, e faltam braços para a ação.
Por vezes, na igreja sobram dedos para apontar os erros dos outros e faltam ombros para sustentar os que querem ficar firmes.
Por vezes, na igreja sobra cérebro para discutir temas irrelevantes e falta inteligência e criatividade para encontrar soluções novas para um tempo novo que tem as carências de sempre.
Há gente cansada porque fez muito e acabou sufocada pela incompreensão e pela critica.
Há gente cansada por não ter feito nada.
Há gente que se cansou de sua própria acomodação.
Há gente cansada de esperar atitudes coerentes.
Não raramente, na igreja sobram olhos para ver as brechas e falta disposição para tapar uma só delas.
Uma igreja cujos membros trocam gentilezas e servem uns aos outros não é igreja. É um clube.
Um evangelho superficial que não incomoda os crentes e não desafia os descrentes não é um evangelho. É uma filosofia.
Por que é baixa a participação dos membros da igreja nas suas atividades, especialmente nas que vão além das celebrações litúrgicas ou dos cultos regulares?
Há escassez de recursos humanos na igreja, embora sobrem membros nas listas e nos bancos durante os cultos.
Há alguns que estão cansados das criticas que recebem precisamente por servirem a Cristo. Só não é criticado quem não faz nada. Quem passa os anos lustrando os bancos da igreja não é criticado. Quem se dispõe a ação: cantando, regendo, tocando, ensinando, pregando, aconselhando, evangelizando, introduzindo, liderando, este é criticado. Sempre tem alguém que faria melhor, embora nunca tenha feito nada.
Quando a igreja está vazia, é porque dispensou Jesus dos seus alvos. Quando eu estou vazio, é porque dispensei Jesus da minha experiência diária. Quando você está vazio, é porque dispensou Jesus de sua vida. (tirado do livro, Gente cansada de igreja – Israel Belo de Azevedo).
Diante dessa leitura podemos continuar acomodados, podemos continuar reclamando ou podemos mudar a nossa história e de nossa igreja. Ainda estamos no tempo que podemos recomeçar.

A paciência de quem faz algo na igreja também tem limites.  

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Quantos pais e padrinhos lembram-se desse compromisso?




“Prezados pais! Cabe a vocês conduzir seus filhos a fé em Jesus Cristo e ensiná-los a orar. Se vocês estão dispostos a assumir esse compromisso, respondam: Sim, com o auxílio de Deus”.
Quantos pais e padrinhos realmente conduziram seus filhos à fé em Jesus Cristo e lhes ensinaram a orar? 
A Bíblia diz: “Educa a criança no caminho que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22.6).
Lutero diz: “O maior erro que se pode cometer na cristandade é não zelar corretamente pelas crianças”.

Diante do que Lutero coloca, diante do que a Palavra de Deus diz e diante de nossa realidade com as crianças, me pergunto se, o compromisso que é feito no altar da igreja, diante de Deus, não se transformou em uma tradição religiosa morta, em uma peça teatral linda. Digo isso, pelo fato de ser um momento que marca pais, padrinhos e a própria igreja. Exatamente, “é um momento” que marca muitos pais e padrinhos, pois infelizmente muitos acabam saindo dali e se esquecem do compromisso que foi assumido.
Assim como muitos pais estão deixando a educação de seus filhos para os professores, da mesma forma, estão deixando a educação na fé em Jesus Cristo para aquelas pessoas que se colocam à disposição para ensiná-la na igreja.
A educação dos filhos é tarefa dos próprios pais, não é tarefa dos professores. Assim também, a educação na fé é tarefa assumida pelos próprios pais no dia do batismo de seus filhos e não de alguns membros da igreja ou do próprio ministro ou ministra.

Não caia nesse erro. Não deixe a educação de seus filhos para os outros, pois dependendo de quem vai educá-los a conta que virá depois poderá ser grande demais. A tarefa de educar a criança é tarefa de quem a coloca no mundo. Se não temos tempo para nossos filhos, para nos preocuparmos com a sua educação, creio que seria melhor nem tê-los colocado neste mundo.

Termino lembrando do texto de Provérbios 17.1: “É melhor um bocado seco, e com ele a tranquilidade, do que a casa cheia de iguarias e com desavença”.
Muitos pais buscam, através do seu próprio trabalho, dar muitas coisas materiais, tentando até mesmo compensar a sua ausência em muitos e importantes momentos da vida de seus filhos. Mas, fato é que eles trocariam todo esse “material” simplesmente pelo seu carinho, pelo seu tempo dedicado a eles.

Em nossas igrejas temos cada vez menos jovens. Creio que isso é consequência de um compromisso irresponsável feito no dia do batismo. Atualmente, algumas pessoas somente podem lamentar esse erro e pedir perdão a Deus por não ter levado esse compromisso a sério. Outras, talvez ainda tenham a oportunidade de corrigir seu erro e podem, a partir de hoje, levar a sério o compromisso que um dia assumiram no batismo de seus filhos. Penso que seria melhor não realizar um batismo quando não se quer levar o compromisso realmente a sério.

As crianças aprendem com o exemplo dos pais, não com suas ordens (vai pra igreja, vai pro ensino confirmatório, vai na juventude, vai no culto, etc.). Se a criança não vê os pais orando ou ensinando-a orar, se ela não vê os pais lendo a Bíblia, participando das atividades da igreja e vivendo a Palavra de Deus dentro e fora de casa, ela dificilmente vai querer saber da igreja e, inclusive, do próprio Deus.
Muitas pessoas vão achar essa reflexão pesada demais. Para seu consolo, deixo a Palavra de Deus que se encontra em Hebreus 12.6: “Porque o Senhor corrige o que ama. E açoita a qualquer que recebe por filho”.
                                                                                         Irio Edemar Genz

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Deus não nos chamou para ficarmos parados.




“Eu não sei qual é a vontade de Deus para a minha vida, qual é o dom que ele me deu” – essa é a resposta dada pela maioria dos cristãos atualmente. Talvez, a forma de obtermos esta resposta é voltarmos para a nossa adolescência (claro, quem já passou dela).  A nossa adolescência também é marcada por dúvidas; muitos nessa fase ficam de braços cruzados, parados, pois ainda não tomaram a decisão do que querem ser  na vida.
Os pais sempre tem um objetivo para seus filhos. Alguns querem que seus filhos sejam médicos, professores, engenheiros, agricultores, pastores, etc., e cada família vai fazer tudo o que está ao seu alcance para que esse seu objetivo se realize. Mas é claro que, quando o adolescente atinge uma maturidade, os pais que realmente amam seus filhos os deixarão livres para que eles mesmos decidam o rumo de sua vida. Sendo assim, cada filho que vive com seus pais sabe qual é a vontade dos mesmos para a sua vida.
Com Deus não é diferente! Quando vivemos na presença de Deus sabemos qual é a sua vontade para as nossas vidas, qual é o dom que ele nos concedeu.  Assim como um filho, que vive com seus pais, sabe qual é o objetivo de seus pais para a sua vida, assim também o cristão que vive na presença de Deus sabe qual é o objetivo de Deus para a sua vida – lembrando que não me refiro aqui de escolhas que são feitas por imposição da parte dos pais.
Portanto, vemos que a causa de muitos ficarem de braços cruzados não é por não saberem a vontade de seus pais para a suas vidas. Ou – no caso que estamos observando em nossa reflexão – dos cristãos ficarem de braços cruzados por não saberem a vontade de Deus para as suas vidas. O problema está em tomar uma decisão! Claro que para o “cristão” que não ora e não lê a Bíblia, não tem um relacionamento com Deus assim como um filho tem com o seu pai, fica realmente difícil saber o objetivo de Deus para a sua vida.
Lembro aqui os dons que Deus concede à Igreja para sua edificação e anúncio de seu reino (1 Co 12; Ef 4.11). Mas antes, quero enfatizar e deixar claro que os dons não são dados para a igreja instituição, nem para serem usados somente dentro da igreja instituição, ou seja, dentro do templo. Os dons são dado por Deus para mim e para você colocarmos em prática onde nós estivermos, seja no trabalho, seja na escola ou faculdade, em casa, na rua. Deus não nos deu os dons para serem usados somente dentro de quatro paredes, ou seja, dentro da igreja (templo). Quando nós entendermos que os dons são dados para a Igreja – corpo de Cristo –, ou seja, para mim e para você e que eles devem ser colocados em prática onde nós estivermos, sem precisarem necessariamente de uma ordenação institucionalizada, viveremos sem a preocupação de que não estamos fazendo a vontade de Deus.
Precisamos lembrar-nos que todo cristão foi chamado para ser um “sacerdote”, ou seja, para anunciar a Palavra de Deus e servir com seus dons.  Uma ordenação institucionalizada somente acontece em casos específicos, onde a igreja (agora sim, instituição) faz uso da ordenação de um ou mais cristãos para exercerem seus dons em local específico/fixo, ou seja, na igreja, no templo. Os casos mais comuns são a ordenação de pastores/as.
É Deus quem concede os dons. A igreja/instituição somente os reconhece e faz a ordenação pública de alguém quando necessário.  Portanto, precisamos tirar da nossa mente que servir a Deus é tarefa apenas de pessoas ordenadas ou, ainda, de que precisamos ser ordenados para servir a Deus. Precisamos tirar da mente que o único lugar de servir a Deus ou adorá-lo é na igreja (templo).  O templo é um dos lugares onde o povo de Deus pode se reunir em maior número para aprender mais, para fortalecer a sua fé, até para louvar e adorar a Deus junto com os demais irmãos, mas ele não é o lugar exclusivo para exercermos nossos dons.
Veja na Palavra de Deus qual é o dom que Ele lhe concedeu ou peça em oração que Deus lhe conceda um dom e exercite-o no seu trabalho, na escola, na faculdade, em casa, na rua, ou seja, onde você estiver e com quem você estiver.  Assim você certamente estará fazendo a vontade de Deus.
É preciso tomar uma decisão. Deus não nos chamou para ficarmos de braços cruzados. Os  dons já foram dados, é preciso exercita-los, ou se alguém ainda não tem é somente pedir.  Descruze os braços e exercite o que já foi lhe dado ou descruze os braços e peça um dos dons.  A partir desta leitura creio que Deus está lhe tirando essa dúvida e lhe pedindo uma decisão.
Decida descruzar os braços, pois com os braços cruzados ninguém faz nada.
                                                                                                       Irio Edemar Genz

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Deus é bom o tempo todo? O tempo todo Deus é bom?




A resposta vai depender de como nós olhamos para Deus.
Pessoalmente, vejo Deus como um Deus cheio de amor, um Deus que me ama e cuida de mim – independentemente se me acho feio ou bonito, se sou gordo ou magro, se minha pele é branca ou morena, se sou rico ou pobre, se tenho saúde ou estou enfermo, se posso me movimentar ou se estou paralisado, se sofro um acidente ou se sou assaltado, se a vida parece injusta para comigo e justa somente para os outros. Sempre terei essa certeza, mesmo em meio às tempestades da vida. Deus é bom o tempo todo, o tempo todo Deus é bom.
Mesmo que eu não pudesse trabalhar para ter o meu sustento, creio que Deus iria me proporcionar o alimento, assim como Ele alimenta as aves dos céus, e me vestir como Ele veste os lírios dos campos.
Deus tem um propósito na vida de cada ser humano e precisamos entender isso. Se temos saúde e podemos trabalhar, então, um dos propósitos de Deus na nossa vida é de que possamos ajudar aqueles que não podem trabalhar, aqueles que se encontram em dificuldades. Eu levanto e tenho o meu café para tomar, ao meio dia tenho o almoço e à noite a janta, além de poder fazer outros lanches nos intervalos. Tenho roupas e calçados para vestir e casa para morar (mesmo que precise pagar aluguel). Diante de tudo o que tenho será que ainda preciso murmurar e lamentar que minha vida é uma miséria, que sou um “pobre coitado”?
É lamentável, mas diante de tudo o que Deus nos dá, ainda existem murmuradores. Graças a Deus que Ele não nos tira até mesmo aquilo que consideramos uma miséria.
Temos calçados e roupas para vestir, temos no mínimo 90 refeições por mês (café, almoço e janta). Portanto, é impossível não podermos dizer que Deus é bom o tempo todo e que o tempo todo Deus é bom.
Com isso, quero deixar um reflexão para quem reclama quando é motivado a contribuir em sua igreja. Uma refeição em nossas festividades da comunidade custa em média R$20,00. Agora pergunto: será que é demais eu ofertar ou contribuir por mês com o valor de uma, duas ou três refeições, sendo que Deus me abençoa com, no mínimo, 90 refeições por mês. Caros amigos e irmãos em Cristo, nunca vi ninguém morrer de fome por ficar sem alguma refeição durante o mês, mas já vi muitas pessoas serem salvas por conseguirem fazer apenas uma refeição. O que eu acho engraçado é que ninguém reclama quando gasta 50 reais em uma festa com bebida e cigarro e com as entradas nos bailes, somente reclamam quando se trata da contribuição na igreja. Espero que você possa refletir sobre isso na hora de ofertar ou contribuir na sua igreja.

                                                                            Irio Edemar Genz

domingo, 6 de abril de 2014

BATISMO – é um ato de louvor ou de vergonha para a igreja?

Minha intenção aqui não é dizer que o Batismo adulto é o correto nem que o Batismo infantil é incorreto, pois a bíblia não fala de Batismo de pessoa adulta nem de Batismo de crianças. Quando a Bíblia fala de Batismo ela não especifica idade, mas fala da ordem dada por Cristo em Mateus 28.19 e que, a partir do surgimento da igreja, esta ordenança ou sacramento torna-se o ato primordial para que alguém venha a fazer parte da Igreja de Cristo, do corpo de Cristo. O Batismo é necessário – não para a salvação, mas para mostrar em que está baseada a nossa fé.
A palavra de Deus antecede o Batismo. Assim, sem a compreensão exata do significado do Batismo ocorre o que Lutero já advertiu no passado: o Batismo pode se tornar uma brincadeira de homens! O Batismo tem um significado para a própria pessoa batizada e também para a própria sociedade onde esta vive. Independente da idade, o Batismo não pode ser administrado levianamente, pois isto poderá dissipar a graça contida no Evangelho.
Uma pessoa somente poderá receber o Batismo após ouvir e aceitar o Evangelho (At 2.38; At 8.37; At 16.14-15,31-33), uma vez que não há como uma pessoa fazer parte do corpo de Cristo sem professar sua fé nele. A vida em comunhão só tem sentido quando eu concordo com a fé que o grupo confessa. Sendo assim, só posso me tornar um cristão quando concordar com o que Cristo declara: que eu sou um pecador, que sem Ele estou afastado de Deus. Somente posso me tornar um cristão quando crer que Jesus morreu e que ressuscitou para me dar a certeza da vida eterna; somente posso me tornar um cristão quando aceitar Cristo como meu único Salvador e Senhor. Nenhum ser humano pode ser salvo sem ter Cristo como Senhor e Salvador de sua vida. A causa essencial para a salvação é o crer, não o Batismo. Assim torna-se ilógico o Batismo antes da confissão. Pois, como alguém pode viver o Batismo sem crer?
Portanto, batizar uma pessoa que não quer aceitar Cristo como Senhor e Salvador de sua vida é o mesmo que brincar de ser cristão, é fazer do Evangelho uma zombaria. Isto tem acontecido muito no meio evangélico, seja em ambientes Pentecostais ou Neopentecostais, onde muitos adolescentes recebem o Batismo como mero “costume”. Flagrante é tal fato também em igrejas históricas, onde o Batismo infantil é mais um acontecimento “tradicionalista” do que realmente um modo de vida.
            A pressão que muitos adolescentes sofrem para receberem o Batismo ou para serem confirmados pode ser vista como uma “obrigação”, quando feita com o intuito de não causar uma má impressão aos pais frente à sociedade ou até mesmo frente à Comunidade. Ou seja, é mais uma vergonha para o Evangelho, visto que, nestes casos, o que muitos adolescentes professam frente à Comunidade reunida não condiz com a forma como levam a sua vida, como agem no seu dia-a-dia. Em grande parte dos adolescentes podemos dizer que não há qualquer sinal de comprometimento com a sua “declaração de fé”. Isso se dá uma vez que os mesmos se sentem pressionados – seja pelos próprios pais ou pela igreja – a se comprometer com algo que, muitos deles, nem mesmo querem como verdade para as suas vidas. E isso é uma oportunidade para o mundo zombar do Evangelho.
Cabe a você que é ministro/a e também aos pais repensar o significado do Batismo, repensar o incentivo que vocês têm dado para que o adolescente seja batizado, confirmado. Cada pai conhece seu filho, cada pastor conhece suas ovelhas (ou deveria conhecer!). Portanto, vocês que são pais e que sabem que seus filhos não querem um relacionamento sério com Cristo, por favor, não os forcem a receber a graça do Batismo, a fim de manterem seus status frente à sociedade ou até mesmo frente à igreja – lembrem-se de que seus status podem fazer do testemunho do Evangelho uma zombaria. Talvez, o que seus filhos precisam é ver, em primeiro lugar, o Batismo sendo vivido diariamente em suas próprias vidas. Você que é ministro/a não faça do Batismo um termômetro para dizer que seu ministério é abençoado. O Batismo, uma vez realizado sem o devido comprometimento, transformará a sua igreja numa empresa, deixando de ser a igreja de Cristo e você se tornará um empregado e não um servo de Deus. E vocês adolescentes que se sentem pressionados conversem com seus pais, com o ministro/a de sua igreja, explique os motivos pelos quais você não quer ser batizado ou confirmado.
O primeiro sinal visível da graça de Deus é Cristo e não o ato do Batismo. Alguns dizem que a ordem dos fatores não altera o produto. Bem, nunca vi alguém começar a construção de uma casa colocando em primeiro lugar o telhado, as janelas, as portas e, por último, o fundamento, o alicerce. Você pode até ter em mãos todo o material necessário, porém, não pode começar a construção de cima para baixo, do telhado em direção ao fundamento. Creio que é isso que acontece quando colocamos o Batismo antes da confissão (antes do fundamento = fé em Cristo). Até podemos construir uma casa sem o alicerce, o fundamento. Mas, com certeza, tal construção não subsistirá.
Falamos tanto em amor, em liberdade, mas no fundo muitos pais e ministros/as acabam tirando essa liberdade dos adolescentes, querendo “induzi-los” a ser o que não querem ser, a confessar algo em que não acreditam. Isto é uma prova de falta de amor.  Creio que, enquanto existir o “tradicionalismo” dentro de qualquer igreja e enquanto nossos adolescentes se sentirem obrigados a confessarem uma fé a qual eles não querem abraçar, a igreja continuará os afastando de Deus.
Nossos adolescentes precisam de exemplos que guiem a sua vida de fé e não de um mero “tradicionalismo”.
                                                            Irio Edemar Genz

domingo, 7 de julho de 2013

O que é ética cristã?

            Diante de tantos debates e de tantas convicções diferentes e, talvez, diante de tantas dúvidas que surgem neste século, onde a maioria das pessoas não sabe mais o que é certo ou o que é errado, diante da postura de algumas igrejas que tendem a se parecer mais com um clube, um circo ou mesmo uma empresa, do que propriamente com uma igreja, parece que a ética cristã não faz mais parte do currículo cristão ou a ética cristã neste século sofreu uma aculturação. Pode a ética cristã sofrer aculturamento? A partir dessa situação, faço uma meditação sobre o tema ética e igreja.
          A partir do site http://www.mackenzie.br/7153.html  encontrei algumas definições de ética - palavra originada do grego (èthike) que significa "modo de ser" ou "caráter"; define o conjunto de preceitos sobre o que é moralmente certo ou errado; pode ser entendida por costume ou propriedade de caráter ou, ainda, investigação geral sobre aquilo que é bom. A ética existe em todas as sociedades humanas como um conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar, as quais guiam as ações de um grupo em particular (moralidade) ou um estudo sistemático sobre como devemos agir (filosofia moral).
            Uma pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções. Dizemos que tem caráter e boa índole.
          Ética e moral, ambos se referem ao conjunto de valores e princípios que norteiam a conduta humana. Entretanto, têm as seguintes diferenças:
             Ética representa normas escritas e editadas. Ser ético é obedecer a normas editadas.
          A Moral representa reação psicológica. Quando alguém pratica ação imoral provoca reação de rejeição no meio social.
      Esta norma ética é imoral! (ou seja, embora previsto em lei ser correta acabou provocando reação de rejeição no meio social).
           A ética cristã tem elementos distintivos em relação a outros sistemas. O teólogo Emil Brunner declarou que “a ética cristã é a ciência da conduta humana que se determina pela conduta divina”. Os fundamentos da ética cristã encontram-se nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, entendidas como a revelação especial de Deus aos seres humanos.
           Em um sentido geral, podemos dizer que um ser humano é ético quando vive de acordo com as normas editadas e que determinam o modo de vida de cada sociedade, grupo de pessoas ou empresas, definindo o que é certo e o que é errado. Sendo assim para sermos éticos temos que nos adaptar às normas editadas pelo grupo de pessoas onde nos encontramos, temos que nos adaptar segundo a cultura de cada povo.
       Dessa maneira, eu só seria antiético ao desrespeitar o modo de vida das outras pessoas. Entretanto, como nem todo mundo é cristão, ou seja, como nem todo ser humano quer estar sujeito às orientações de Deus, paramos diante de duas estradas e, portanto, temos que tomar uma decisão: ou ignoramos as orientações de Deus (ética cristã), ou nos tornamos uma pessoa mascarada, de duas caras; optamos por viver como um camaleão ou, ainda, esquecemos que a Bíblia é a Palavra de Deus e que Deus existe - assim, eu mesmo defino as normas de vida de uma sociedade). Dessa maneira, extinguimos a ética cristã.
            O teólogo Emil Brunner faz uma definição muito coerente quando diz que a ética cristã é a ciência da conduta humana que se determina pela conduta divina. Creio que esta afirmação não geraria nenhuma polêmica se todos os seres humanos do nosso século que se dizem ser cristãos ainda acreditassem que a Bíblia é a Palavra de Deus. Porém, como para muitos a Bíblia somente contém a Palavra de Deus, também fica difícil dialogar, pois, nesse caso, quem seria a pessoa certa para determinar ou dizer o que na Bíblia é Palavra de Deus e o que não é Palavra de Deus?
            Creio que a Bíblia é a Palavra de Deus e a vida da Igreja deve estar fundamentada nos ensinos da Palavra de Deus.
        O que seria então para um cristão a ética cristã? Se for ético é obedecer a normas editadas, para o cristão é o obedecer a normas ditadas por Deus (os seus mandamentos). Não falo somente dos 10 mandamentos, mas de todos os ensinamentos de Cristo que se encontram na Bíblia. É por isso que o cristão é chamado a ser sal e luz no mundo, pois seu estilo de vida é para ser baseado na vontade de Deus, não segundo o pensamento de um grupo de pessoas que cria as suas próprias normas.
        Em 1 Jo 5.2-4 diz: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados”.
          A ética cristã é determinada pela Palavra de Deus. 1 Jo 1.5 – 2.5 diz: “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.  Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. MEUS filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele”.
           Ética cristã não é nada mais do que ter uma vida coerente com a Palavra de Deus, como diz o texto acima: “Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade”. Portanto, se alguém afirmar que é cristão, mas no cotidiano apresentar uma vida totalmente fora da vontade de Deus (Mt 7.21; Rm 1.18-32; 1Co 6.9,10; Gl 5.10-21; Ap 22.15), este está também tomando parte na falta de ética cristã.   
          Portanto amados irmãos em Cristo, quando nós confessamos Cristo como Senhor e Salvador estamos reconhecendo que nosso modelo de vida está baseado nele, na sua forma de falar, agir e (con)viver. Nele, através da ação do Espirito Santo, somos feitos novas criaturas (2Co 5.17), nossos princípios e convicções passam a ser os seus ensinamentos e, dessa maneira, é que demonstramos nossa postura ética ou antiética. Como cristãos, estamos sendo éticos ou antiéticos em nosso modo de viver?
                                                                                  Irio Edemar Genz